domingo, 7 de novembro de 2010

Ultraflorbela ou a bela flor de Florbela


Para acompanharem a melodia de Marcos Assumpção no post anterior, o poema de Florbela:

Desejos vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!


Eu queria ser a Pedra que não pensa,


A pedra do caminho, rude e forte!


Eu queria ser o Sol, a luz intensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!


Eu queria ser a árvore tosca e densa


Que ri do mundo vão e até da morte!


Mas o Mar também chora de tristeza…

As árvores também, como quem reza,


Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!


E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!


E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

Florbela Espanca, in Livro de Mágoas

Para saberem mais sobre Florbela Espanca, cliquem aqui

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