domingo, 7 de novembro de 2010

Florbela Espanca em mãos e voz brasileira de Marcos Assumpção


Em 2009, eu e meu pai, português, assistimos no programa Sr. Brasil, na TV Cultura, com apresentação de Rolando Boldrin, à performance de Marcos Assumpção, que musicou poemas de Florbela Espanca, principal figura feminina da poesia lusitana do início do século XX. Gravou 17 poemas reunidos em CD intitulado "A flor de Florbela" (“Os Versos Que Te Fiz”, “Se Tu Viesses Ver-me”,”Caravelas”, “Noite de Saudade”, “Errante”, “Inconstância”, “A Flor do Sonho”, “De Joelhos”, “Mentiras”, “Amar”, “Maria das Quimeras”, “Desejos Vãos”, “Horas Rubras”, “O Fado”, “Vozes do Mar”, “Poetas” e “Só”, para citar alguns).

Na escolha dos poemas, Marcos optou pelos que tratam de sentimentos comuns, com escrita de fácil entendimento: “Preferi os que não suscitassem dúvidas no linguajar que era usado na época (...) não mudei as palavras usadas por ela, apenas atualizei alguns termos", explicou.

O compositor, acompanhado de outros músicos, criou, com sua voz e violão, melodias fluentes e harmônicas, construídas com delicadeza, mesmo que os versos de Florbela sejam carregados de dramaticidade. Aliás, é talvez esse o segredo de Marcos Assumpção para (re)significar, em pleno século XXI, poemas de outrora, tornando-os atemporais. Emocionante apresentação: guitarras chorando ao fundo, viola versando versos (a aliteração foi proposital!) numa voz que se arrastava melancólica e doce e penetrava nossos sentidos. Lindo! 

Se me pedissem uma característica da poesia de Florbela, eu diria sem titubear: o excesso...! O excesso em tudo: Florbela extravasa sensualidade, dramaticidade - melhor ainda, tragédia -, paixão. Em outras palavras, eu diria que Florbela é simplesmente ultra. Esse é o melhor dela. A intensidade com que se entrega sem limites a tudo e a todos faz dela isto: ultraflorbela.

Amou muito - há críticos a verem em sua poesia uma espécie de donjuanismo feminino em razão da sensualidade de seus versos - e viveu muito em pouco tempo. À frente da sua época, foi uma das raras mulheres, àquela altura, a concluir o curso secundário em terras portuguesas. Além disso, cursou Direito, teve três casamentos, abortos e tentativas de suicídio. Sua morte é ainda envolta de certos mistérios.

Escutem os versos, porque a artista morre, mas sua obra... esta é imortal. Aguardem pois há mais de Marcos Assumpção e Florbela...! Não deixem de acessar o site do artista (que já lançou um novo CD: aqui): maravilhoso! Bjs nossos! 

Nenhum comentário: