quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Literatura na web e as micronarrativas

Imagem: Minimundo *, parque de lazer em forma de uma minicidade, em Gramado, RS. Conheça mais no excelente blog Ilustrattus: aqui.

Ao buscar as informações mencionadas no post imediatamente abaixo deste, deparei-me com uma matéria  bastante atrativa: Há vida literária na Web, dizem escritores na Flip (leiam na íntegra aqui). Nela, a jornalista explica que Marcelino Freire convidou cem autores, como Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Lygia Fagundes Telles, os quais escreveram contos com até 50 letras, para compor a obra. Quem desejar conhecer mais sobre o autor do projeto, acesse o próprio blog de Marcelino _ eraOdito (cliquem aqui).


Eis alguns dos microcontos presentes na obra:


“Amor"
Maria,quero caber todo em você.
(Manoel de Barros)


"O Pesadelo de Houaiss
Quando acordou, o dicionário ainda estava lá*.” (Joca Reiners Terron)


"Crepuscular
Pegou o chapéu, embrulhou o sol,então nunca mais amanheceu.” 

(Menalton Braff)

“_ Eu não te amo mais.
_ O quê? Fale mais alto, a ligação está horrível.”
(Jorge Furtado; sem título)


“Boletim de Carnaval
_ Fui estuprada, vó. Três animais!
_ E tu esperava o quê? Um noivo?” 
(Luiz Roberto Guedes)


No blog de Marcelino Freire, mencionado acima, o escritor publicou os ganhadores de um concurso que ele mesmo organizou a fim de premiar os melhores microcontos com exatas seis palavras. Eis os ganhadores:


(1º lugar): “Gênese
Escuridão. Deus desemcapando fio: Terra.” 
(Carlos Nealdo)


(3º lugar): “Vendia heroína para comprar a polícia.” 
(NightHiker)


Acrescentou (sem ordem de classificação):
“Nunca acreditou em sinais. Morreu atropelada.” 
(Adrienne Myrtes)


Olá
— Olá, quem é?
— O título.” 
(Filipe Lazarini)


“Metafísica
Sinto-me profundamente na superfície.” 
(Pedro Macielo)


*O Minimundo é um parque de lazer em forma de uma minicidade, em Gramado, RS, onde quase tudo é 24 vezes menor. As construções e o urbanismo são encantadoramente pequenos, inclusive as árvores, arbustos, pessoas e meios de transporte, numa perfeição quase que inacreditável. No blog Illustratus há uma ótima matéria sobre o assunto. Acessem aqui!


**Possível referência ao mais conhecido e menor microconto do mundo, do guatemalteco Augusto Monterroso: “Cuando despertó, el dinosaurio todavia estaba allí” (Nota minha).

Já publicamos alguns posts sobre microcontos no Tear _ Micronarrativas: uma introdução, As micronarrativas de Bonassi e Voltaire (aqui), entre outras: aqui e aqui

Entretanto, novas reflexões são sempre bem-vindas. Após ler a obra, postarei mais a respeito. Por ora, é isso, mas, se alguém quiser ensaiar-se na arte de produzir microcontos desse tipo, há espaço neste blog...!

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