domingo, 13 de março de 2011

O último post e o último discurso

"Contra a estupidez os próprios deuses lutam em vão". In: Schiller, Friedrich. A Donzela de Orleans (em referência à Jeanne d'Arc, queimada viva por acusação de heresia)

O grande ditador não é entre os filmes de Chaplin o de que mais gosto. Claro, para além da crítica aguçadíssima de Chaplin aos regimes totalitários, existem cenas cuja ternura e cujo humanismo, como sempre em seus filmes, mexem profundamente com nossos sentimentos... Há ainda cenas hilárias como, por exemplo, já no início do filme, quando a personagem de Chaplin (o barbeiro judeu), tentando salvar um outro soldado (Schultz), pilota um avião realizando peripécias muito esquisitas, inclusive sobrevoando com o avião de cabeça para baixo! Também as famosas cenas de "balé" que Chaplin sempre interpreta sempre tão magistralmente em seus filmes podem ser vistas quando o gueto judeu é invadido pelos soldados nazistas e a personagem entra em conflito com a polícia _ não poderiam faltar as corriqueiras cenas nas quais Chaplin e os policiais se enfrentam!!!Além disso, Hynkel, também interpretado por Chaplin, verdadeiramente um alter-ego de Hitler, profere exaltados discursos em um "alemão" ininteligível mas ainda assim é ovacionado efusivamente pela multidão, que assiste a tudo em absoluto êxtase _ caricatura engraçadíssima das multidões alienadas. As cenas entre o barbeiro judeu e Hannah são as mais enternecedoras. Embora o filme seja uma crítica mordaz aos regimes totalitários, em se tratando de Chaplin, ternura não poderia faltar. É nas cenas entre Hannah e o barbeiro que ela melhor se manifesta e é a Hannah a quem, na cena final, ao proferir "o grande discurso" _ com destaque ao respeito aos direitos humanos em plena Segunda Guerra! _ ele se dirige: 

"Hannah, está me ouvindo? Onde quer que esteja, olhe para cima! Olhe para cima, Hannah! As nuvens estão subindo, o Sol está abrindo caminho! Estamos fora das trevas, indo em direção à luz! Estamos indo para um novo mundo; um mundo mais feliz, onde os homens vencerão a ganância, o ódio e a brutalidade. Olhe, Hannah!". 

Segue à fala um estrondoso aplauso da multidão.E o filme termina com uma tomada e cena focando Hannah, em uma outro local, distante do barbeiro _ confundido como Hitler pela multidão _ olhando para o céu. Como disse, embora não seja meu filme preferido, é, sem dúvida, uma obra-prima do cinema mundial. Desejamos-lhes um ótimo domingo! Bjs! Jana , Augusto e Tê!

Um comentário:

Marchiori Quevedo disse...

O que dizer desse excerto senão "magistral"?

Infelizmente, é em homens-máquina e mulheres-máquina que temos nos transformado cada vez mais...

Abraço!