sábado, 6 de novembro de 2010

Lou Andreas-Salomé, Paul Rée e Nietzsche

Foto com Lou, Paul Rée e Nietzsche

Lou Salomé era conhecida pela influência exercida sobre os mais significativos intelectuais e artistas de sua época: Nietzsche, Rilke, Freud. Manteve não só uma instigante correspondência escrita com eles - hoje documentada em alguns livros -, como também uma relação intelectual. Mas de todos esses vínculos o amoroso talvez tenha sido o que acabou merecendo maior destaque.

Lou conheceu Paul Rée quando este tinha 32 anos; filósofo já com três livros publicados. Rée assistiu a alguns cursos de Nietzsche, de quem se tornou grande amigo, a tal ponto de apresentá-la ao filósofo alemão e sugerir os três morarem juntos. Porém, Nietzsche, assim como havia acontecido com Rée, apaixonou-se perdidamente por Lou... Logo, os planos foram alterados. Nietzsche, no entanto, não hesitou em afirmar publicamente que foi Lou quem o inspirou a escrever Zaratustra, uma das suas obras mais importantes.

A encantadora Lou foi ainda inspiração para Rilke, mas se rebelou contra a relação de dependência de seu amado e das constantes depressões do poeta. Sua paixão pela vida foi muitíssimo mais considerada, e finalmente, depois de seis anos, rompeu com ele: “Não posso ser fiel aos outros, apenas a mim mesma”, disse-lhe, mantendo sempre sua autonomia e independência, qualidades raras em uma mulher daquela época.

Em suma: a natureza de suas conversas e de sua relação com Nietzsche e Rilke corroborou a posição filosófica de Lou em favor do existencialismo. Por sua vez, com Freud - a quem chegou a chamá-la de "raio de sol" -, ela ganhou notoriedade na evolução inicial da Psicanálise e na prática da teoria psicanalítica.

Finalmente, os detalhes sobre a foto: o próprio Nietzsche sugeriu uma espécie de "montagem" de fotografia com Gorro de Jules - fotógrafo suíço famoso -, tornando-se esta bastante conhecida e polêmica. Na fotografia, como Nietzsche supostamente "coreografou", Lou encontra-se sentada numa charrete segurando um chicote, enquanto Rée e Nietzsche estavam na frente da charrete, "atados à mão de Lou" através das cordas. O próprio Nietzsche olhava para fora do quadro à direita, com um olhar um tanto absorto e parecendo estar puxando a carroça onde Lou está.


Da foto, que por si só "fala", resta a pergunta feita por Peters, biógrafo de Lou: Como é possível a uma mulher inteligente, criativa, original, relacionar-se com homens de gênio sem ser dominada por eles? (...)



Fonte de consulta: Peters. H. F. Lou, minha irmã, minha esposa (prefácio); Ferreira, Luzilá Gonçalves. Os Sentidos da Paixão. Ed. Cia de Letras, 1987, págs. 359-373.


Para conhecerem mais sobre Lou Salomé, cliquem aqui. Pretendemos  lhes apresentar outras informações envolvendo as figuras citadas neste post. Acompanhem! Bjs carinhosos! Jana, Augusto e Tê!

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