sábado, 30 de outubro de 2010

Tear: uma casa portuguesa, com certeza!


Como filha de português, cresci ao som da doce canção Alecrim... Minha avó cantava, minha tia Zezinha... Quando fui a Portugal pela primeira vez, havia um anúncio publicitário com essa música... Adorava!

Adriana Cacanhotto interpreta a canção, mas preferi a composição do vídeo acima, do CD infantil Tempo de Brincar, com participações especiais de Pena Branca, Coral Infantil de Votorantim e Coral Apae de Votorantim. Das 14 faixas, 13 são assinadas e produzidas por Valter, e pelo maestro Cadmo Fausto. A releitura acima, de Alecrim, revela a encantadora voz de Nilcéia Récio.

Saudade da minha infância...! Hoje, acendi um incenso de alecrim para sentir o cheirinho gostoso dessa planta...! Dizem que esse incenso energiza o ambiente conferindo proteção espiritual e alegria a quem está nele... Uma delícia! E o que dizer do chá? No pátio da minha casa há um lugar, um canteirinho para ela.

Imagem: aqui.

Alecrim

Alecrim, Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Alecrim, Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Foi meu amor
Que me disse assim
Que a flor do campo é o alecrim
Foi meu amor
Que me disse assim
Que a flor do campo é o alecrim
Alecrim, Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Alecrim,
Alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado


Lendas e episódios relativos ao alecrim

A primeira lenda reza que, quando Maria e José fugiam com o Menino Jesus a caminho do Egipto, as flores que havia à beira do caminho iam-se abrindo à sua passagem, para os saudar. O lilás, orgulhoso da sua beleza e perfume, erguia-se bem alto. O lírio, mais modesto de porte, mas de igual beleza, abria os cálices, contribuindo, assim, para amenizar a jornada dos caminhantes. O alecrim, sem flores nem beleza, entristeceu, por não ter nada que pudesse oferecer ao Menino. Depois de percorrer um longo caminho, Maria, cansada, resolveu parar junto a um rio. O Menino adormeceu, e Maria aproveitou para lavar as suas roupinhas. Em seguida, procurou um lugar para estendê-las. Os lilases eram muito altos, os lírios muito frágeis… Foi então que reparou no modesto alecrim, que crescia a seus pés, e nele colocou as roupinhas. O alecrim suspirou de alegria por, finalmente, poder ser útil ao Menino. E, enquanto susteve as roupinhas, redobrou de esforços para ativar o seu perfume e com ele as impregnar. Quando Maria as foi apanhar disse: “Obrigada, gentil alecrim*!Daqui por diante cobrir-te-ás de flores azuis, da cor do manto que estou usando. E, em sinal de agradecimento, não apenas as flores, mas também os raminhos que sustentaram as roupas de Jesus, passarão a ser perfumadas. Abençoo as folhas, o caule e as flores, que, a partir de agora, terão aroma de santidade e espalharão alegria”. É por isso, diz-se, que o alecrim é, todo ele, perfumado, e não apenas as suas flores.


Imagem: Mme. de Sauvigné (cliquem aqui para saber mais)

O alecrim _ Rosmarinos officinalis, planta nativa da região mediterrânea _ foi muito apreciado na Idade Média e no Renascimento, fazendo parte de várias fórmulas, inclusive a "Água da Rainha da Hungria", famosa solução rejuvenescedora. Conta-se  um episódio envolvendo Elizabeth da Hungria, que recebeu, aos 72 anos, a receita de um anjo (um monge?) quando estava paralítica e sofria de gota. Com o uso do preparado, recobrou a saúde, a beleza e a alegria. O rei da Polônia chegou a pedi-la em casamento! Madame de Sévigné recomendava água de alecrim contra a tristeza, para recuperar a alegria.

Minha avó paterna dizia que, ao passarmos perto de ramos de alecrim, deveríamos dizer: "Grata, gentil alecrim!", em tom respeitoso. Saudade também da minha avó Conceição...! Boas lembranças da infância!

 Bj carinhoso! Tê!

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