terça-feira, 30 de novembro de 2010

O besteirol na televisão: TV Pirata

Vídeo: TV Pirata, 1989
Muitos de vocês, leitores, talvez não se lembrem, por motivos vários, mas, na década de 80, no Brasil, surgiu ― ou seria apenas uma recriação? ― um novo estilo de se fazer teatro e televisão: o besteirol.

A pesquisadora Eudinyr Fraga, no Dicionário do teatro brasileiro, da Editora Perspectiva, entende por tal estilo a

"Denominação dada a um conjunto de peças surgidas a partir da década de 1970, no Rio de Janeiro e São Paulo, composta de pequenos esquetes, piadas, jogos de palavra e situações de nonsense. Tudo é motivo para a sátira, desde os modismos verbais até os comportamentais (...) As peças se articulam em torno do ator, apelando para a sua capacidade de improvisar (ou mais que isso, de dar a impressão de).”


Tanto no teatro, quanto na televisão, Miguel Falabella é sempre apontado como um nome conhecido quando o tema é mencionado. Por força da impressão de banalidade e riso fácil, o ator explica que, na época, muitos críticos rotularam esse novo estilo de “alienante” pois, num período de tentativa de democratização do País, sobretudo no teatro, era preciso ser “engajado” política e artisticamente. O ator explica:

"Alienados seríamos se não refletíssemos sobre a frenética sociedade de consumo em que nos tranformamos. Alienados seríamos se ficássemos restritos aos clássicos, aos grandes autores, em montagens bem-comportadas, para ganhar o beneplácito dos senhores da cultura. Levamos a chanchada e a paródia à cena, sim. Com muito prazer. Porque estamos cada vez mais atentos à realidade à nossa volta."

Na verdade, o besteirol, numa relação interativa, propicia um diálogo com sua plateia. Esse tipo de atuação exige inteligência, sensibilidade, criticidade e informação, qualidades necessárias ao seu real entendimento. Requer um público atento às inúmeras associações sutis, às referências a fatos/coisas aparentemente sem ligação, às críticas disfarçadas de “pura inocência”. O humor é, desse modo, concebido na sua natureza anárquica: rompe com dogmas, padrões preestabelecidos, inverte, subverte, sem se preocupar com preconceitos de toda ordem.

Limites? Hum ... nem mesmo na habilidade de improvisação... Talvez os limites da “insustentável leveza do ser”...! Em outros termos: o esgotamento/excesso da ironia “suportada” pelo ser humano.

No teatro, Trair e coçar... é só começar já está em cartaz há cerca de vinte anos. Na televisão, Casseta & PlanetaSai de Baixo, entre outros, são exemplos do gênero.

Como a nostalgia às vezes bate à minha porta, selecionei um vídeo de um programa ao qual assistia sempre, o TV Pirata, cuja estreia se deu em 1988. Nele, os "pobres", ao se apropriarem do discurso dos "ricos" ("Do que estão reclamando? Olha que vida boa a deles [dos pobres]! Recebem tudo nas mãos e nunca estão satisfeitos!", etc, etc), o subvertem: tomam literalmente o discurso dos "ricos" e o manifestam de forma invertida. É impossível não rir, rsrsr!


Se gostaram desse tipo de humor, cliquem aqui. No site, há informações detalhadas sobre o programa. Vale a pena! Voltaremos a postar sobre isso. Bjocas! Tê, Jana e Augusto!

sábado, 27 de novembro de 2010

Nelson Rodrigues: e a vida como é?

Imagem: Os amantes, de René Magritte (aqui)

“Os amantes se amam cruelmente/ E com se amarem tanto não se veem/ Um se beija no outro, refletido” (Carlos Drummond de Andrade)


Foi ao ler um comentário interessante, feito por um anônimo, no post Amor à Nelson Rodrigues (aqui), que associei seu conteúdo com o da imagem acima (sugiro conferirem algumas informações sobre essa pintura: aqui) e o texto de Nelson Rodrigues. Apresento o comentário primeiramente e, após, a crônica do escritor brasileiro.

"Não é à toa que entre o carrasco e a vítima se cria uma história de amor. Assim se pactuam determinados matrimônios, cuja história de crueldade se repete, mas o inesperado surge quando se amam. Por culpa, fazem o melhor de tudo, mas pela mesma culpa, seguem se maltratando. O sentimento de culpa forma seres: desde o infeliz até o criminoso!" (comentário de anônimo).


Escorpião de banheiro

Viviam como cão e gato. E eram brigas diárias e tremendas. Numa das vezes, foi até interessante: Belchior deu um murro, de mão fechada, na testa de Elvira. A pequena virou por cima das cadeiras. Ergueu-se, ainda vesga da pancada e da queda. Mas não teve dúvidas maiores – apanhou o aparelho de rádio e o varejou contra Belchior. Este se abaixou e o projétil acertou em cheio a cristaleira, com um estrondo inimaginável. A essa altura dos acontecimentos, os vizinhos em massa invadiram a casa. A própria radiopatrulha encostava na porta. Subjugados, os cônjuges ainda esperneavam. Belchior dava arrancos frenéticos:
– Te arrebento! Te parto a cara!
E ela, feito uma fúria:
– Palhação! Cretino!

Para os vizinhos, a pancadaria recíproca e cotidiana era motivo de fascinação e, além disso, de náusea. Há cinco anos levavam essa vida e ninguém entendia porque continuavam juntos. Ponderaram:
– Vocês não combinam. Por que não se separam?
Ambos concordavam:
– É o golpe! É o golpe!

Mas a separação vinha sendo adiada há semanas, meses e anos. Dir-se-ia que, apesar das incompatibilidades, existia entre os dois um vínculo qualquer, misterioso e fatal. Por fim, tanto os parentes de Belchior como os de Elvira já rosnavam:
– Isso é falta de vergonha! De brio! No duro que é!

Marina

Até que, um dia, Belchior conheceu Marina. Com esse nome de letra de Dorival Caymmi, era um amor de pequena, miúda e linda, doce de sentimentos e de modos e, de resto, educadíssima. Acostumado com Elvira, que era violenta, desbocada e neurastênica, adorou a suavidade de Marina. No segundo ou terceiro encontro, a menina perguntou:
“– Você é casado?”. Ele hesitou na resposta. Mas tomou coragem e disse:
– Olha, meu anjo. Quero ser leal contigo. Não sou casado, mas vivo com uma pessoa assim, assim, separada do marido. Compreendeu?
– Compreendi.
E ele:
– Aliás, quero te dizer o seguinte:
– Essa pessoa é uma jararaca, uma lacraia, um escorpião de banheiro. Não gosta de mim, nem eu dela. Antes de te conhecer, eu já estava resolvido a chutá-la. E agora que te conheço, mais do que nunca, naturalmente.

Marina deu-se por satisfeita. No dia seguinte, Elvira saiu depois do almoço. Quando voltou, ao cair da noite, viu escrita, na parede, a lápis, com a letra do marido, a seguinte mensagem: “VAI-TE PARA O DIABO QUE TE CARREGUE. ADEUS!”.

Elvira, que abominava o companheiro, devia achar o fato uma delícia. Em vez disso, porém, rolou no chão, espumando em ataques. Quando os vizinhos entraram de roldão, atraídos pela gritaria, ela apontou a parede:
“– Olha o que aquele cachorro escreveu!”. Os vizinhos leram e releram atônitos. 
Elvira soluçou:
“– Mas ele há de voltar! – E repetia com uma certeza fanática: “– Há de voltar!”

Felicidade

Consumada a separação, a felicidade de Belchior foi uma dessas coisas convulsas e patéticas. Como primeira medida, bateu o telefone para Marina:
– Estou livre! Livre!
Do outro lado da linha, a pequena chorava:
– Deus te abençoe!
De noite, Belchior, ainda delirante, reuniu os amigos no bar. Bebeu toda a noite. Fez, aos berros, as confidências mais comprometedoras. Em dado momento, com o olho injetado e a boca torcida, esbravejava, numa reminiscência de leitura:
A consciência não existe! A única consciência que eu reconheço é o medo da polícia! – Alargou o colarinho, afrouxou o laço da gravata e uivou: – Foi o medo da polícia que me impediu de matar Elvira!
Voltou para casa carregado e vomitando nos amigos.

O anjo

Lera na adolescência um romance ordinaríssimo, que se chamava Anjo de redenção. E agora, vendo Marina e sua meiguice consoladora, fez sua tentativa literária ao dizer:
“– Tu és o meu anjo de redenção!”. Ela baixou os olhos, arrepiada, e disse:
– Eu faço o que posso!
Apresentou a menina aos pais. E, depois, veio sôfrego saber a opinião dos velhos. A mãe beijou-o na testa:
– Uma simpatia!
E o pai, grave:
– Dessa gostei!

Mais quinze dias e houve o pedido oficial. Na tarde em que ficaram noivos, Belchior levou a pequena para a varanda; dramatizou:
“– Quando te conheci, estava na seguinte situação: ou matava ou me matava. Tu me salvaste a vida.”

O idílio

Pareciam feitos um para o outro. De quinze em quinze minutos, Belchior descobria uma nova afinidade com a menina. De resto, coincidiam em tudo, de uma maneira impressionante. Gostavam dos mesmos filmes, das mesmas músicas, das mesmas paisagens e dos mesmos doces. Ele, que fora tão infeliz na sua anterior experiência sentimental, a ponto de quebrar a cabeça da amante com um rádio de pilha, agora parecia navegar num mar ou, por outra, num lago azul. Viviam sem rixas, sem bate-bocas, numa calma talvez parecida com o tédio. Pouco a pouco, porém, sem que Belchior percebesse, uma certa melancolia se insinuou na sua alma. A noiva acabou estranhando:
– Estou te achando meio assim, triste.
– Eu?
– Você. Anda meio esquisito. Que é que há?
Protestou, rubro:
– Esquisito por quê? Pelo contrário. Nunca me senti tão bem. Pigarreia e exagerou:
“– Eu sou o sujeito mais feliz do mundo. Tenho você, quer dizer, tenho tudo.”


A outra


E, de fato, Belchior era ou devia ser o sujeito mais feliz do mundo. Amava e era amado, livrara-se de uma mulher histérica e desequilibrada, que lhe arruinava a vida, a alma, o fígado. Pois bem. Apesar disso, ou por isso mesmo, deu para andar deprimido, insatisfeito. Explicava vagamente:
“– Deve ser esgotamento.”. Nas proximidades do casamento, encontrou-se com um velho amigo, o Peçanha. Este o chamou de lado:
– A Elvira anda jurando que você volta! Diz que quer ser mico de circo se você não voltar!
Pulou, malcriadíssimo:
– Ela é besta! Não quero ver essa cara nem pintada! Isola!
Estaria certa? Estaria errada? Ninguém podia saber. Havia, porém, quem julgasse ver, no caso Belchior e Elvira, um desses sombrios mistérios do sexo, sem explicação possível.

Noite de núpcias

Finalmente, deu-se o casamento. Na igreja, quando Marina passou a caminho do altar, houve um deslumbramento. Na sua graça frágil e intensa, era uma imagem realmente inesquecível. Após a cerimônia, voltaram os dois para a casa dos pais de Marina, onde passariam a residir. Às onze horas, despediu-se o último convidado. Os velhos, depois de abençoarem o casal, recolheram-se. Marina, transfigurada, sussurrou: “Espera um pouco que eu te chamo, Belchior. Espera.”

Nesse instante, bateu o telefone e Belchior, surpreso e inquieto, foi atender. Era Elvira dizendo:
– Olha! Eu te espero. A chave está debaixo do tapetinho. Vem, agora!
E desligou. Belchior encostou-se à parede, com a vista turva e as pernas bambas. Houve, nele, uma brusca e violenta nostalgia da mulher que era o seu ódio e seu desejo. Naquele justo momento Marina entreabriu a porta e avisou:
– Pode vir, meu bem!

Ele, porém, não pensava mais na noiva. Dir-se-ia um magnetizado. Sem rumor, deslizou pela escada, rente à parede. Meia hora depois, desceu de um táxi na porta da antiga residência. Insinuou a mão debaixo do capacho, apanhou a chave. Entrou. Em pé, no meio da escada, com o quimono rosa em cima da camisola, os pés nas sandálias de arminho, Elvira o esperava. Não houve uma palavra entre os dois. Belchior enlaçou a pequena e, com raiva e gana, a beijou muitas vezes. Então, Elvira riu, pendendo a cabeça:
“– Meu!”.
E foi esse orgulho que a perdeu. As mãos de Belchior desceram e se fecharam sobre o pescoço macio. Apertou até o fim, sem saber que a estrangulava, sem saber que a estava matando. Depois, abraçado ao cadáver, disse arquejante:
– Não te enterrarei nunca! Ficarás comigo aqui!
E pousou a cabeça sobre o coração, que não batia mais.

Um dos contos de A vida como ela é..., por Nelson Rodrigues


Há o que se pensar sobre a vida, não? Acima, opiniões – não obrigatoriamente as nossas. E para vocês: como é a vida...? Bjocas e um excelente sábado! Augusto, Tê e Jana!

Nelson Rodrigues, por Ruy castro

Imagem: capa da revista Bravo! (aqui)
Durante dez anos, de 1951 a 1961, Nel­son Rodrigues escreveu sua coluna A vida como ela é... para o jornal Última Hora, de Samuel Wainer. Seis dias por sema­na, chovesse ou fizesse sol. A chuva podia ser como “a do quinto ato do Rigoletto” e o sol, daqueles “de derreter catedrais”, se­gundo ele. Todo dia, com uma paciência chinesa e uma imaginação demoníaca, Nelson escrevia uma história diferente. E quase sempre sobre o mesmo assunto: adultério. Desse tema tão simples e tão eterno, ele extraiu quase duas mil histórias.

Os ficcionistas que fingem se levar a sé­rio precisam de toda uma aura de misté­rio para criar. Nelson dispensava esse mis­tério. Chegava cedinho à redação, acendia um cigarro e, na frente dos colegas, entre miríades de cafezinhos, escrevia A vida como ela é... As histórias saíam de casos que lhe contavam, da sua própria obser­vação dos subúrbios cariocas ou das cabe­ludas paixões de que ele ouvira falar em criança. Mas principalmente da sua me­ditação sobre o casamento, o amor e o desejo.

O cenário dos contos de A vida como ela é... é o Rio de Janeiro dos anos 50. Uma cidade em que casanovas de plantão e mulheres fabulosas flertavam nos ônibus e bondes; em que poucos tinham carro, mas esse era um Buick ou um Cadillac; em que os vizinhos vigiavam-se uns aos ou­tros; e em que maridos e mulheres viviam sob o mesmo teto com as primas e os cunhados, numa latente volúpia incestuo­sa. Uma cidade em que, como não havia motéis, os encontros amorosos se davam em apartamentos emprestados por amigos – donde o pecado, de tão complicado, tor­nava-se uma obsessão. E uma época em que a vida sexual, para se realizar, exigia o vestido de noiva, a noite de núpcias, a lua-de-mel. E em que o casal típico – e, de certa forma, perfeito – compunha-se do marido, da mulher e do amante.

Por Ruy Castro. Texto de apresentação de A vida como ela é: O homem fiel e outros contos Nelson Rodrigues ; seleção Ruy Castro. São Paulo Companhia das Letras, 1992.

Projeto Democratização da Leitura – PDL –  Uma grande biblioteca virtual gratuita, como toda informação deveria ser.Visite:www.portaldetonando.com.br
Contatos e informações:webmaster@portaldetonando.com.br

Nós já fizemos o download gratuito da obra citada (aqui)! E vocês..? Bjs! Jana, Tê e Augusto! Desejamos um excelente sábado!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mistérios do mar


Ir à beira da praia ... cotidiano prazer! Despia-se, estendia o corpo na areia quente e macia e relaxava. Adorava o mar — aquela língua à Rolling Stones tragando-o como um sorvete! E o gesto sensual da lambida o deliciava! Rendia-se plenamente ao gozo enquanto o manto azul, voraz e insaciável, excitado em ondas e tormentas, o engolia. Um dia, não mais voltou. Apenas os vestígios das roupas sobre a areia, que o procurou em vão. Implorou ao sol que a aquecesse: perdera seu doce amante. O sol deu-lhe as costas. O mar, vertendo lágrimas ao notar a tristeza da areia, sorveu-a também. Ai, que lindo triângulo amoroso! Entrega... Maresia... Ressaca... Ou aquela expressão francesa melange... menage... Como é mesmo...? Ah, esqueci!


Por Teresinha Brandão


Olá! Desejamos um bom encerramento da semana! Bjinhos da Jana, Tê e do Augusto!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O universo fantástico das meninas italianas

Imagem: Nicolleta Ceccoli (aqui)
As ilustrações do post anterior, criações da italiana Nicoletta Ceccoli, revelam traços de uma artista muito talentosa e sensível. A princípio, quando me deparei com elas, fiquei encantada admirando esse universo onírico. Suas meninas expressam um quê ora de tristeza e melancolia, ora de inocência, ora ainda de uma "maldadezinha" própria de toda criança. Antecipo: não sou crítica de arte rsrsr! , portanto, comento tão-só o que “sinto espontaneamente” diante delas.

Nos ambientes onde as meninas são retratadas, nota-se a predominância de cores escuras, sobretudo ao fundo, e a criação de uma atmosfera nebulosa. Já em relação às meninas, as figuras revelam uma nuança meio empalidecida, lívida, um tanto decadente. Mas quem "habita" tais ambientes? Quem são essas meninas? Serão rainhas, princesas, bailarinas, anjos? Que seres estranhos são esses que abraçam bonecas, brincam com os peixinhos, conversam com a lua, no entanto, em outras situações, com um olhar desafiador, seguram um chicote na mão? Nos seus misteriosos e sérios rostinhos, parece haver, no detalhe rosado das maçãs do rosto, uma ambivalência: essa tonalidade rósea  aponta para uma certa  malícia e sedução, de um lado, ou, de outro, para sentimentos de vergonha e acanhamento?


Ainda: as meninas movimentam-se graciosa e delicadamente. Os pássaros, peixes, árvores, bem como os animaizinhos “peçonhentos” (ratos) ou amedrontadores (dragão), e ainda, as asas de anjo ou de borboleta constituem estranha porém linda extensão do próprio corpo, ou seja, “são parte” dele e partem delas mesmas.

Com certeza, um universo surreal com espaço para o inconsciente infantil manifestar-se sob diferentes roupagens, não? Simplesmente lindas! Haveria algo mais fantástico...?


*Nicoletta Ceccoli, artista italiana, já ilustrou mais de trinta livros. Seu trabalho é bastante reconhecido principalmente na Itália, nos EUA e no Reino Unido. Em 2001, recebeu o Prêmio Andersen de melhor ilustradora italiana do ano, além de ter sido agraciada com importantes premiações em outros países.

Bj carinhoso e uma boa noite! Tê!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As imagens oníricas de Ceccoli











As ilustrações acima - belíssimas!!! -, criações da italiana Nicoletta Ceccoli, revelam traços de uma artista talentosíssima e sensível. 

Enquanto admiram as lindas imagens de Ceccoli, preparo um post acerca de suas meninas. Não deixem de conhecer um pouco mais desse trabalho no site oficial de Nicoletta! Acessem aqui. Desejo-lhes uma excelente quarta-feira. Bjs, Tê! Jana e Augusto mandam bjs também! 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Diálogo clitoriano

Dois clitóris conversavam, quando um deles diz:
“– Me disseram que você sofre de frigidez...”
Ao que o outro rapidamente responde:
“– Ora, são as más línguas...!”

E não é para rir...?! Bjs! Augusto, Tê e Jana!

Provocar pessoas inteligentes pode ser perigoso... (2)

 Imagem: O louco; Tarot Namur (aqui)
"Um rei, passando por uma pequena cidade, viu algo que acreditou serem as marcas de uma surpreendente pontaria. Nas árvores, nos celeiros e nas cercas, havia uma série de alvos, cada um com um buraco de bala bem no centro.


Ele não acreditava no que via. Tratava-se de uma pontaria soberba, quase um milagre. O próprio rei era um bom atirador, e conhecera muitos bons atiradores na vida, mas jamais vira algo assim. Ele pediu para ser apresentado ao atirador, que era, na verdade, um louco.

— Isso é sensacional! Como você consegue? — o rei perguntou ao louco. — Eu sou um bom atirador, mas nada se compara à sua arte e habilidade. Por favor, diga-me.


— É muito fácil, respondeu o louco, rindo —, eu atiro primeiro e desenho os círculos depois!"

Por Osho. Em: Palavras de Osho (aqui)


Olá! Dizem que rir é o melhor remédio contra as adversidades da vida... Nós acreditamos, rsrsr! Desejamos um excelente dia! Bjs! Jana, Augusto e Tê!

sábado, 20 de novembro de 2010

Micro-histórias luso-africanas

Imagem: ilustração de Nicoletta Ceccoli (aqui)

Bem, não são só os brasileiros a gostarem de microtextos (ou microfiction, ou, ou, ...). Sobretudo com a universalização da internet, eles se tornaram produção textual bastante frequente em muitos países, que designam esse gênero diferentemente, conforme recém exemplificado.

Para celebrar o Dia Mundial do Livro, em 23 de abril de 2007, o Diário de Notícias, Portugal, pediu a alguns escritores de língua portuguesa que escrevessem uma história original com, no máximo, dez palavras.

Selecionei-as dessa edição e as transcrevi abaixo. Convido a lerem as interessantes "micro-histórias"

"Quando o comboio bateu, ela esquecera a razão do suicídio." (Hélia Correia)

"Queria um ladrão. Só encontrou homens honestos. Ainda assim, casou." (Hélia Correia; escritora e dramaturga, destacou-se com o romance Lilias Fraser e com a novela Bastardia)

"No dia da última bomba, nasceu a menina chamada Palestina." (Ondjaki; poeta, dramaturgo e romancista angolano, publicou o romance Os da minha rua)

"Até morrer conservou no armário o esqueleto do capuchinho vermelho." (Mafalda Ivo Cruz; romancista portuguesa, estreou com Requiem português e, depois, o romance Oz)

"Homem mata anão. Espetáculo cancelado." (João Tordo; jornalista e escritor, publicou O livro dos homens sem Luz e Hotel Memória)

"Comia frutos sobre o abismo. Cobardes, abaixo, aspiravam-lhe a queda." (Possidónio Cachapa; autor do romance Rio da Glória, entre várias outras obras)

Até agora, ninguém tentou criar uma história nesses moldes aqui no Tear I no espaço dos comentários (ou via e-mail). Quem gostaria...?

Quanto à ilustração, aguardem até amanhã... Postaremos imagens lindas, oníricas, dessa artista italiana. Desejamos uma excelente noite de sexta-feira! Bjs do Augusto, Jana e Tê!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Escritos

Tarde
Da janela, o sol. Chove em mim.

Liberta
Não era a sua queda, era voo entre os pássaros.

Olhou para frente a certa altura do caminho e sentou-se. Não havia abismo que nela coubesse.

Por Janaina Brum

Uma excelente noite! Bjs nossos!Jana, Augusto e Tê!

Ser mãe é padecer no paraíso?

Imagem JB Magazine 
Como já diziam os antigos: “Mãe é uma só!” E eu completaria: ainda bem, se fossem duas a gente não aguentava!

Quer missão mais difícil do que ser mãe? Ser respon­sável pela formação física, cultural e moral de uma pessoa? E de várias pessoas então?! E quan­do não se pode contar nem com um companheiro que divida não só a carga gené­tica, mas, principalmente, a responsabilidade?

É tanta responsabilidade que aos poucos a gente vai sufocando toda e qualquer possibilidade dessa criaturi­nha se tornar realmente uma pessoa, e passamos a tratá-la como se fosse uma extensão de nós mesmas.

Boicotamos suas vonta­des, suas decisões, suas prefe­rências e, com isso, barramos também as possibilidades do aprendizado com a vida. Não queremos que sofra! Esse é o nosso argumento. E substitu­ímos um suposto sofrimento futuro pelo real sofrimento da castração de ser o que se é: uma pessoa com sua indi­vidualidade, seus erros e seus acertos.

Por amor, sempre por amor, viramos uma “Ingrid” – a obstinada mãe do Jorge e do Miguel* - que faz de tudo, até perder a noção do que é certo, para que os filhos não sofram. Toda mãe acha que só através dos seus conselhos é que os filhos encontrarão a felicidade. Mas quem garante qual é o me­lhor caminho?

Como filhas, a gente reconhece que não é fácil ser mãe. Mas há tanto que se viver, tantas descober­tas a serem feitas e numa época tão diferente da que a nossa mãe viveu. A gente precisa de ar, de espaço, de liberdade. Queremos errar nossos próprios erros. Já temos a base, agora é por nossa conta!

Chegará o dia em que passaremos para o outro lado da história e nos tor­naremos mães. Quando isso acontecer, não se­remos acometidas pelas mesmas tentações de não sermos só as genitoras, mas as redatoras de uma história que julgamos nos pertencer desde o primeiro ato até o sonhado final?

Até lá, queiram os céus, possamos continuar pade­cendo no doce paraíso da família!

Por Margarete Brandão Caliman

Em: J Magazine. Maio/2010. Seção Ponto final
Ingrid era personagem interpretada por Natália do Vale na novela da emissora Globo - Viver a vida.  Sua obstinação em decidir, passando por cima de tudo e de todos, o destino dos filhos gêmeos Jorge (Mateus Solano) e Miguel (Mateus Solano) era muito criticada na trama.
A J Magazine  agora também pode ser lida na versão digital. Basta clicarem aqui e desfrutar de uma boa, informativa e relaxante leitura!

Outras informações, acessem: 
www.jmagazine.net ou jornalismo@jmagazine.net. 

Margarete Brandão Caliman é uma prima muito querida! Jornalista, é editora da revista J Magazine, em Santo André - SP. Está colaborando com o Tear I com textos bastante criativos. Casada com Constante Caliman Jr., os dois, de quem gostamos muito, são afilhados de casamento do meu pai e da minha mãe. Quanto ao texto acima, não levem muito a sério as palavras da Marga! Ela é mãe de Talita, Areta e Iberêem nada parecida com o tipo de mãe citado inicialmente na crônica. Ao contrário, é uma "mãezona" amiga, aberta ao diálogo, não-castradora. Em mim, podem acreditar, rsrs! 

Agradecemos a presença da Marga no Tear I. Bjs a todos e uma excelente sexta-feira! Augusto, Jana e Tê!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mamãe querida


"A maternidade é mesmo uma bênção. Dona Marieta que o diga. Pariu e educou três filhos. Fez de tudo por eles. Trocou fraldas. Dormiu mal durante muitas noites. Correu para postinho médico. Ajudou no dever da escola. Deu dinheiro para festinhas. Viu crescerem. Viu casarem. Mas nenhum dos filhos quis ver a mãe enviuvar. Diminuir. Adoecer. Perder o domínio do intestino. Esquecer de tomar banho. D. Marieta foi empurrada de um filho a outro qual batata quente. Passava as férias num asilo fedorento ou no hospital. Os filhos brigavam para ver quem ia ter de ficar com ela. Um dia, todos a esqueceram. Não foram buscá-la na rodoviária. D. Marieta morreu sozinha, esperando num banco do terminal. Ser mãe é padecer no paraíso."

Por Iarima Redü

Iarima Redü foi minha aluna na Ufpel. Cursa francês nessa universidade e escreve maravilhosamente bem. Inspirada em Voltaire de Souza (ver abaixo), redigiu essa micronarrativa. Agradeço-lhe a permissão de postar este texto.  Um bj! Tê! Uma boa noite a todos! Augusto, Jana e Tê!

A arte de relaxar

Imagem: Olhares (aqui)

"É muito tensa a vida na cidade grande. Filas para o cinema. Congestionamentos. Assaltos. Para relaxar, nada melhor do que uma banheira com hidromassagem. Douglas fazia questão. Com o uísque do lado. Chegou em casa nervoso. Chutou o cão de raça Tirannus. Xingou a governanta Ana Augusta. Que o entregou ao cão. 'Deve estar macio agora'. Um homem duro é seu próprio Titanic."

Por Voltaire de Souza

Para saberem mais sobre o autor e suas micronarrativas, cliquem aqui.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Poesia é a infância da língua"

Imagem: Photo Collection (aqui)

"Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades." (Manoel de Barros. Poesia completa, Leya, 2010)

Para iniciar bem a semana de trabalho: crianças, relva, sapatos, flores, borboletas ... o nada! Coisas - maravilhosas! - de Manoel de Barros! Num dia de primavera caem muito bem! Bjs carinhosos de Augusto, Jana e Tê!