quinta-feira, 4 de novembro de 2010

As micronarrativas de Bonassi e Voltaire


Imagem: "Microbiblioteca", na Inglaterra.  Contém 170 miniaturas de livros. Na época, a Rainha Mary, esposa do rei George V do Reino Unido, mandou construir uma casa em  escala 1:12, medindo cerca de 3 metros de altura. Lá instalou, entre outros ambientes, essa biblioeteca (vejam outras imagens aqui).

Achei interessante registrar alguns dados sobre dois consagrados escritores de micronarrativas, que, em verdade, muitos estudiosos da área da literatura denominam de microconto. Escolhi dois colunistas do Folha de São PauloVoltaire de Souza, pseudônimo utilizado por Marcelo Coelho, ensaísta, crítico e colaborador do jornal, autor de Vida Bandida, nome também dado à coluna assinada por Marcelo na Folha Online.

O outro, Fernando Bonassi, é contista renomado das letras contemporâneas, premiado não só no Brasil, mas também no exterior. Ambos têm contribuído para a consolidação da micronarrativa na literatura brasileira atual, sobretudo o último.


Tanto Voltaire de Souza quanto Fernando Bonassi, conforme se verá nos microcontos a serem aqui publicados, registram em suas narrativas acontecimentos rotineiros, deles extraindo o que de mais absurdo comportam. Esse absurdo é um efeito resultante de aspectos trágicos aliados ao cômico, em uma narrativa na qual o imprevisível está sempre presente, e concentrado no senso comum, pois os textos culminam – nos de Voltaire, em específico – com um dito popular, uma frase de efeito ou uma “moral da história”.


O elemento tragicômico,  perceptível em alguns  deles, é aguçado por uma visão de mundo fronteiriça entre a amargura, a crueza da vida, e a comicidade, desencadeada por algum fato inesperado do dia-a-dia. Nas histórias, escritas em um estilo ultrarrealista e sintético, quase telegráfico, diria, suas personagens experenciam fatos desencadeados pelo simples desejo de fugir do tédio cotidiano, ou ainda, pela necessidade de denunciar pequenos dramas da nossa rotina.


Os primeiros microcontos de Bonassi, publicados em Os cem melhores contos brasileiros do século (2001), pela Objetiva, são bastante voltados à realidade brasileira, de um “Brasil em processo de descobrimento”, no dizer de Marcelo Spalding, em resenha* escrita sobre o gênero. Em algumas narrativas, Fernando volta-se à realidade de um outro país, em histórias produzidas, bem possível, quando viveu no exterior, lembrando em muito os textos comumente publicados em livros de viagens.

Além desses destacados autores, Samir Mesquita, Marco Antônio de Araújo Bueno, Marcelino Freire, entre outros, conhecidos igualmente por suas micronarrativas, estarão registrados aqui no Tear I.


*SPALDING, M. Fernando Bonassi e a reinvenção do microconto na literatura brasileira contemporânea. Revista eletrônica de crítica e teoria de literaturas. PPG-LET-UFRGS – Porto Alegre – Vol. 02 N. 01 – jan/jun 2006.

Nenhum comentário: