quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mamãe querida


"A maternidade é mesmo uma bênção. Dona Marieta que o diga. Pariu e educou três filhos. Fez de tudo por eles. Trocou fraldas. Dormiu mal durante muitas noites. Correu para postinho médico. Ajudou no dever da escola. Deu dinheiro para festinhas. Viu crescerem. Viu casarem. Mas nenhum dos filhos quis ver a mãe enviuvar. Diminuir. Adoecer. Perder o domínio do intestino. Esquecer de tomar banho. D. Marieta foi empurrada de um filho a outro qual batata quente. Passava as férias num asilo fedorento ou no hospital. Os filhos brigavam para ver quem ia ter de ficar com ela. Um dia, todos a esqueceram. Não foram buscá-la na rodoviária. D. Marieta morreu sozinha, esperando num banco do terminal. Ser mãe é padecer no paraíso."

Por Iarima Redü

Iarima Redü foi minha aluna na Ufpel. Cursa francês nessa universidade e escreve maravilhosamente bem. Inspirada em Voltaire de Souza (ver abaixo), redigiu essa micronarrativa. Agradeço-lhe a permissão de postar este texto.  Um bj! Tê! Uma boa noite a todos! Augusto, Jana e Tê!

2 comentários:

Peixesempeixes disse...

Obrigado por me visitar sempre, abraços e boa tarde.

Alexandre Heberte.

Tear de Sentidos disse...

Querido, adoro visitar teu blog!
Há peças lindíssimas! Parabéns pelo teu talento!
Bj, Tê!