sábado, 20 de novembro de 2010

Micro-histórias luso-africanas

Imagem: ilustração de Nicoletta Ceccoli (aqui)

Bem, não são só os brasileiros a gostarem de microtextos (ou microfiction, ou, ou, ...). Sobretudo com a universalização da internet, eles se tornaram produção textual bastante frequente em muitos países, que designam esse gênero diferentemente, conforme recém exemplificado.

Para celebrar o Dia Mundial do Livro, em 23 de abril de 2007, o Diário de Notícias, Portugal, pediu a alguns escritores de língua portuguesa que escrevessem uma história original com, no máximo, dez palavras.

Selecionei-as dessa edição e as transcrevi abaixo. Convido a lerem as interessantes "micro-histórias"

"Quando o comboio bateu, ela esquecera a razão do suicídio." (Hélia Correia)

"Queria um ladrão. Só encontrou homens honestos. Ainda assim, casou." (Hélia Correia; escritora e dramaturga, destacou-se com o romance Lilias Fraser e com a novela Bastardia)

"No dia da última bomba, nasceu a menina chamada Palestina." (Ondjaki; poeta, dramaturgo e romancista angolano, publicou o romance Os da minha rua)

"Até morrer conservou no armário o esqueleto do capuchinho vermelho." (Mafalda Ivo Cruz; romancista portuguesa, estreou com Requiem português e, depois, o romance Oz)

"Homem mata anão. Espetáculo cancelado." (João Tordo; jornalista e escritor, publicou O livro dos homens sem Luz e Hotel Memória)

"Comia frutos sobre o abismo. Cobardes, abaixo, aspiravam-lhe a queda." (Possidónio Cachapa; autor do romance Rio da Glória, entre várias outras obras)

Até agora, ninguém tentou criar uma história nesses moldes aqui no Tear I no espaço dos comentários (ou via e-mail). Quem gostaria...?

Quanto à ilustração, aguardem até amanhã... Postaremos imagens lindas, oníricas, dessa artista italiana. Desejamos uma excelente noite de sexta-feira! Bjs do Augusto, Jana e Tê!

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