sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ser mãe é padecer no paraíso?

Imagem JB Magazine 
Como já diziam os antigos: “Mãe é uma só!” E eu completaria: ainda bem, se fossem duas a gente não aguentava!

Quer missão mais difícil do que ser mãe? Ser respon­sável pela formação física, cultural e moral de uma pessoa? E de várias pessoas então?! E quan­do não se pode contar nem com um companheiro que divida não só a carga gené­tica, mas, principalmente, a responsabilidade?

É tanta responsabilidade que aos poucos a gente vai sufocando toda e qualquer possibilidade dessa criaturi­nha se tornar realmente uma pessoa, e passamos a tratá-la como se fosse uma extensão de nós mesmas.

Boicotamos suas vonta­des, suas decisões, suas prefe­rências e, com isso, barramos também as possibilidades do aprendizado com a vida. Não queremos que sofra! Esse é o nosso argumento. E substitu­ímos um suposto sofrimento futuro pelo real sofrimento da castração de ser o que se é: uma pessoa com sua indi­vidualidade, seus erros e seus acertos.

Por amor, sempre por amor, viramos uma “Ingrid” – a obstinada mãe do Jorge e do Miguel* - que faz de tudo, até perder a noção do que é certo, para que os filhos não sofram. Toda mãe acha que só através dos seus conselhos é que os filhos encontrarão a felicidade. Mas quem garante qual é o me­lhor caminho?

Como filhas, a gente reconhece que não é fácil ser mãe. Mas há tanto que se viver, tantas descober­tas a serem feitas e numa época tão diferente da que a nossa mãe viveu. A gente precisa de ar, de espaço, de liberdade. Queremos errar nossos próprios erros. Já temos a base, agora é por nossa conta!

Chegará o dia em que passaremos para o outro lado da história e nos tor­naremos mães. Quando isso acontecer, não se­remos acometidas pelas mesmas tentações de não sermos só as genitoras, mas as redatoras de uma história que julgamos nos pertencer desde o primeiro ato até o sonhado final?

Até lá, queiram os céus, possamos continuar pade­cendo no doce paraíso da família!

Por Margarete Brandão Caliman

Em: J Magazine. Maio/2010. Seção Ponto final
Ingrid era personagem interpretada por Natália do Vale na novela da emissora Globo - Viver a vida.  Sua obstinação em decidir, passando por cima de tudo e de todos, o destino dos filhos gêmeos Jorge (Mateus Solano) e Miguel (Mateus Solano) era muito criticada na trama.
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Margarete Brandão Caliman é uma prima muito querida! Jornalista, é editora da revista J Magazine, em Santo André - SP. Está colaborando com o Tear I com textos bastante criativos. Casada com Constante Caliman Jr., os dois, de quem gostamos muito, são afilhados de casamento do meu pai e da minha mãe. Quanto ao texto acima, não levem muito a sério as palavras da Marga! Ela é mãe de Talita, Areta e Iberêem nada parecida com o tipo de mãe citado inicialmente na crônica. Ao contrário, é uma "mãezona" amiga, aberta ao diálogo, não-castradora. Em mim, podem acreditar, rsrs! 

Agradecemos a presença da Marga no Tear I. Bjs a todos e uma excelente sexta-feira! Augusto, Jana e Tê!

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