quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

De entranhas, conchas e (a)mares

I

Suave
meu amor jaz a meu lado...
Consome-se seguro e confiante
em êxtase profundo
Murmura ais incompreensíveis −
gemidos em forma de prece    
... E pra que falar
doce amante
se teu falo
silencioso
mas ainda assim atento
jorrou
saciou (-nos)
quando te dei de beber
em meu sacralizado cálice
transbordante
de frementes desejos?

II

Tragaste voraz
Meu precioso licor e
com a urgência
de um visionário no deserto
lambeste minha taça
por insaciável sede
Ah, lascívias carícias –
imoralidades prazerosas –
coito línguas lábios coxas!
Meus peitos
ostras-conchas
abrigam duas pérolas
que ainda imploram ser
delicadamente mordidas e
alimentar-te


III

Sei que lançarás novamente
teu líquido
em minhas sépalas
já dilatadas e ardidas pelo teu apetite
para em mim
te comprazeres uma vez mais
Minha ourela reclama 
entreaberta e úmida
em viçoso cio
para que teu flácido e saciado falo
enrijeça fértil e frenético e
no altar sagrado da nossa alcova
o casto pecado
a pureza e a fúria
deliciosamente
possam se misturar

 IV

Não adormeças assim
meu amor
Te aguardo
Ele fenece mas
há de florescer
desperto
rígido
até me penetrar de novo
e despertar
e arrebatar
essas minhas estranhas entranhas

 Por Teresinha Brandão

Bjussss carinhosos! Tê!

2 comentários:

renata disse...

Que lindo! Me emocionas e orgulhas!!!
Mãe adotiva

Tear de Sentidos disse...

Mamiiiii! Apreindi com a mamãeeeee!
Bjocas, minha linda!!!
Tê!