quarta-feira, 30 de março de 2011

Te quiero Benedetti! Te quiero Nacha!


Si te quiero es por que sos                                 Tuas mãos são minha carícia
Mi amor mi complice y todo                                      meus acordes cotidianos
Y en la calle codo a codo                                      te quero porque tuas mãos
Somos mucho mas que dos                                         trabalham pela justiça
Somos mucho mas que dos                                       se te quero é porque és
Tus manos son mi caricia                                meu amor meu cúmplice e tudo
Mis acordes cotidianos                                                   e na rua lado a lado
Te quiero porque tus manos                                 somos muito mais que dois
Trabajan por la justicia                                     teus olhos são minha súplica
Tus ojos son mi conjuro                                               contra o péssimo dia
Contra la mala jornada                                                te quero por teu olhar
Te quiero por tu mirada                                        que ao olhar semeia futuro
Que mira y siembra futuro                                   tua boca que é tua e minha
Tu boca es pura y mia                                            tua boca não se equivoca
Tu boca no se equivoca                                           te quero porque tua boca
Te quiero por que tu boca                                               sabe gritar rebeldia 
Sabe gritar rebeldia                                                 se te quero é porque és
Si te quiero es por que sos....etc                     meu amor meu cúmplice e tudo
Y por tu rostro sincero                                                   e na rua lado a lado
Y tu paso vagabundo                                           somos muito mais que dois
Titubeando por el mundo                                            e por teu rosto sincero
Porque sos pueblo te quiero                                       e teu passo vagabundo
Y por que amor no es aureola                                   e teu pranto pelo mundo
Ni candida moraleja                                                 porque és povo te quero
Y porque somos pareja                                  e porque o amor não é só brilho
Que sabe que no esta sola                                               nem ingênuo ritual
Te quiero en mi paraiso                                          e porque somos um casal
Es decir en mi pais                                                      que não está sozinho
La gente viva feliz                                                  te quero em meu paraíso
Aunque no tenga permiso                                    quer dizer que em meu país
Si te quiero es por que sos...                                           todos vivam felizes
                                                                              mesmo sem permissão
                                                                             se te quero é porque és
                                                                  meu amor meu cúmplice e tudo
                                                                                  e na rua lado a lado
                                                                        somos muito mais que dois
Olá! Nacha Guevara e Mario Benedetti - juntos! - é tuuuudo de bom, não? Pois é... Sempre que vou a uma livraria juro - por tudo de mais sagrado! - que só vou comprar um livrinho, nada mais... Rsrsr! Não me levem a sério! O encontro de hoje, na livraria, com Benedetti foi inesperado e irresistível...Levei-o para minha casa... e estou com ele no meu quarto, nas minhas mãos... Precisa dizer mais?????? Rsrs!
Vale a dica para vocês: de Mario Benedetti, O amor, as mulheres e a vida, da Verus Editora, com tradução de Julio Luis Gehlen, edição de 2010.Te quero se encontra na p. 45 dessa edição. Acrescentei à letra (adaptada) o poema traduzido. Para saberem mais sobre Nacha Guevara, acessem aqui.


Desejamos uma boa noite a todos! Bjssss! "Nós"!

domingo, 13 de março de 2011

O último post e o último discurso

"Contra a estupidez os próprios deuses lutam em vão". In: Schiller, Friedrich. A Donzela de Orleans (em referência à Jeanne d'Arc, queimada viva por acusação de heresia)

O grande ditador não é entre os filmes de Chaplin o de que mais gosto. Claro, para além da crítica aguçadíssima de Chaplin aos regimes totalitários, existem cenas cuja ternura e cujo humanismo, como sempre em seus filmes, mexem profundamente com nossos sentimentos... Há ainda cenas hilárias como, por exemplo, já no início do filme, quando a personagem de Chaplin (o barbeiro judeu), tentando salvar um outro soldado (Schultz), pilota um avião realizando peripécias muito esquisitas, inclusive sobrevoando com o avião de cabeça para baixo! Também as famosas cenas de "balé" que Chaplin sempre interpreta sempre tão magistralmente em seus filmes podem ser vistas quando o gueto judeu é invadido pelos soldados nazistas e a personagem entra em conflito com a polícia _ não poderiam faltar as corriqueiras cenas nas quais Chaplin e os policiais se enfrentam!!!Além disso, Hynkel, também interpretado por Chaplin, verdadeiramente um alter-ego de Hitler, profere exaltados discursos em um "alemão" ininteligível mas ainda assim é ovacionado efusivamente pela multidão, que assiste a tudo em absoluto êxtase _ caricatura engraçadíssima das multidões alienadas. As cenas entre o barbeiro judeu e Hannah são as mais enternecedoras. Embora o filme seja uma crítica mordaz aos regimes totalitários, em se tratando de Chaplin, ternura não poderia faltar. É nas cenas entre Hannah e o barbeiro que ela melhor se manifesta e é a Hannah a quem, na cena final, ao proferir "o grande discurso" _ com destaque ao respeito aos direitos humanos em plena Segunda Guerra! _ ele se dirige: 

"Hannah, está me ouvindo? Onde quer que esteja, olhe para cima! Olhe para cima, Hannah! As nuvens estão subindo, o Sol está abrindo caminho! Estamos fora das trevas, indo em direção à luz! Estamos indo para um novo mundo; um mundo mais feliz, onde os homens vencerão a ganância, o ódio e a brutalidade. Olhe, Hannah!". 

Segue à fala um estrondoso aplauso da multidão.E o filme termina com uma tomada e cena focando Hannah, em uma outro local, distante do barbeiro _ confundido como Hitler pela multidão _ olhando para o céu. Como disse, embora não seja meu filme preferido, é, sem dúvida, uma obra-prima do cinema mundial. Desejamos-lhes um ótimo domingo! Bjs! Jana , Augusto e Tê!

sábado, 12 de março de 2011

O humanismo de Chaplin em "O grande ditador"

Em Minha vida Chaplin caracteriza O grande ditador como "uma comédia antinazista" (p. 457). O contexto histórico em que foi produzido mostrava-se inicialmente propício, na sociedade norte-americana da época, à sátira contra Hitler. O general alemão é representado pela personagem Hynkel, e Mussoline, pela personagem Napaloni (uma clara alusão a Napoleão...?). Mas esse clima de boa receptividade tomou novos rumos e, conforme o nazismo ia ganhando mundialmente força e popularidade, sustentado pela teoria de pureza racial e métodos violentos, mais e mais o cerco apertava-se contra Charlie Chaplin.
O que foi o filme de maior renda de sua carreira foi também o que mais dores de cabeça lhe causou, a tal ponto de ser expulso dos EUA. A princípio, recebia cartas de advertência da United Artists, avisos sobre censura antes mesmo de o filme vir oficialmente a público. Inclusive depois de sua estreia e do sucesso de bilheteria, recebia pressões de relevantes personalidades da política em conversas íntimas nas festas que frequentava. Vale a pena destacarem-se alguns trechos de diálogos nos quais Chaplin revela total firmeza quanto a seus propósitos de denunciar as atrocidades nazistas da época.


Após uma semana da estreia de O grande ditador, Chaplin encontrou-se, num jantar oferecido pelo proprietário do New York Times, Arthur Sulzberger, com o ex-presidente dos EUA, Herbert Hoover. Hoover, ao ser indagado sobre seus projetos acerca da missão que se propunha a cumprir na Europa, respondeu, entre rodeios e palavras cuidadosamente escolhidas, ser a de prestar ajuda à Europa "sem partidarismo, com propósitos exclusivamente humanitários" (p. 463; grifo meu). A certa altura, acrescentou em tom enfático a ressalva: "Não queremos, decerto, que as provisões caiam em poder dos nazistas." (p. 463; grifo meu).

Até então Hoover e Chaplin aparentemente pareciam concordar. No entanto, visando posicionar-se explicitamente em favor dos judeus, Chaplin manteve-se inabalável, apesar do intenso mal-estar que sua fala acarretou no pequeno grupo de convidados, favoráveis a um apoio a Hitler:


"_ Estou inteiramente de acordo com a ideia [do apoio norte-americano à Europa] desde que os alimentos não caiam em mãos dos nazistas." [...] "[...] e daria total apoio à proposta se a distribuição dos víveres e medicamentos pudesse ficar a cargo de judeus!" (p. 464)

Se a comida foi elogiada...? Bem, ... Rsrsr!!!


Até mesmo nas ruas Chaplin intervinha em favor dos judeus:


"Um filho de família nova-iorquino perguntou-me suavemente por que eu era tão contra os nazistas. Respondi:
_ Porque os nazistas são contra o povo.
_ Com certeza _ disse, como se lhe viesse uma repentina revelação _ o senhor é judeu, não é mesmo?
_ Não é preciso ser judeu para ser antinazista _ retruquei. _ Basta ser uma pessoa humana, decente e normal." (p. 465).


Se acabou o diálogo...? O que acham...?



Para quem deseja ler a sinopse do filme, acesse aqui.
Não percam, no post seguinte, a última cena: uma crítica impiedosa ao militarismo, preconceito, extremo abuso do poder e à insensatez humanos. Não é sem razão que essa fala da personagem é conhecidíssima e respeitada até hoje por aqueles que anseiam por um mundo mais humanizado.

Os trechos assinalados foram extraídos de: Chaplin, Charlie. Minha vida. Rio de Janeiro, José Olympio, 2005. Na primeira imagem, Hynkel diante da multidão. Na segunda, os dois ditadores: Hynkel e Napaloni atirando comida um no outro, em disputa pelo poder. Bj, Tê!